COXIM ADIPOSO

O coxim adiposo plantar do calcâneo é uma estrutura única no corpo humano, devido à função especial que exerce - absorção e dissipação da energia do  impacto no solo. Apresenta um formato em colméia de septos fibro-elásticos, onde os glóbulos de gordura são armazenados. Os septos são fortemente ancorados em formato de “U” ao redor da tuberosidade do calcâneo e pele, porém em torno dos 40 anos de idade, inicia um processo de degeneração tecidual gradativa, com perda de colágeno, tecido elástico e água, ocasionando seu afilamento e diminuindo sua elasticidade.

O coxim adiposo pode gerar dor pelo processo inflamatório local, ou pela compressão de estruturas adjacentes. Estudos mostram que coxins com aumento da espessura ou redução da elasticidade, aumentam a pressão sobre a tuberosidade calcaneana e 1o ramo do nervo plantar lateral (ramo para músculo abdutor do 5o artelho - nervo de Baxter).

 

De outro modo, a diminuição da espessura do coxim, ou o excesso de elasticidade ou mobilidade, reduz a propriedade de absorção de impacto, fazendo com que a energia do choque do calcâneo durante a marcha se transmita mais diretamente para as estruturas plantares, também gerando dores por sobrecarga.

 

Durante o exame físico, a dor típica advinda do coxim adiposo é localizada à palpação em vários pontos do coxim, especialmente no centro do calcâneo, e mais proximal à origem da fáscia plantar, bem como à manipulação e palpação latero-lateral. Pacientes mais idosos, podem apresentar uma atrofia extrema do coxim gorduroso, de difícil manejo clínico ou cirúrgico.

 

Dor bilateral nos calcanhares de difícil tratamento deve sempre alertar para a possibilidade de doença reumatológica como espondilite anquilosante, síndrome de Reiter, artrite psoriática ou outra espondiloartropatia soro-negativa.

 

A avaliação laboratorial com antígeno leucocitário humano-B27 (HLA-B27), pode auxiliar no diagnóstico, associado a outras provas laboratoriais, como hemograma, PCR, VHS, dosagem de ácido úrico, fator reumatóide (FR), anticorpos anti-núcleos, e em casos selecionados de suspeita lúpica, anti-SSA e anti-SSB.

 

Dores noturnas em repouso, emagrecimento recente, abrupto e sem causa precisa, febre e sudorese noturna, bem como dor intensa sem medidas de alívio, devem chamar a atenção para tumores ou infecção (red flags). Dor em queimação mal localizada e distribuída ao redor do calcâneo e face plantar do pé, com possível irradiação para panturrilha, podendo ocorrer parestesia desses territórios, podem ser oriundas de radiculopatia de L5-S1 ou pela compressão neuropática do tibial posterior na síndrome do túnel tarsal.   

O tratamento para a sobrecarga ou atrofia do coxim gorduroso do calcâno é o repouso, mudança de atividades físicas para exercícios de baixo impacto (bicicleta, natação, musculação, simuladores de caminhadas, entre outros), redução do peso corporal, uso de palmilhas absortivas de impacto (silicone ou customizadas), e utilização de calçados com elevação do calcâneo - sapatos de solados rasos geram um aumento da pressão plantar sobre o calcâneo, bem como estiram fibras do tendão de Aquiles e fáscia plantar.

 

Pode-se usar anti-inflamatórios não-esteroidais (AINE’s) por curto prazo de tempo. Crioterapia pode ser de extrema utilidade, podendo-se fazer uso em bolsas térmicas de gel. Modalidades de analgesia fisioterápica e a utilização de acupuntura também podem ser úteis. Devem-se evitar as infiltrações com esteróides do coxim do calcâneo, devido ao risco de necrose tecidual ou atrofia.

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Raphael S. Remor de Oliveira - Doctoralia.com.br